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21/07/2009 03:41
Dedetização
Baratas mortas pelas esquinas do assoalho do apartamento vazio denunciam o serviço prestado. Em todo canto, mau cheiro e morte. Corpos minúsculos agonizados no chão, patéticos.
A casa providencialmente evacuada no fim de semana prolongado, agora é um silêncio desolador. Foi contida a infestação de carrapatos, mas por quanto tempo?
Basta voltar o cachorro para que também retornem? O que será das pulgas acrobatas do gato? Das lêndeas, dos piolhos e dos chatos que carcomem nosso couro cabeludo? O que será da vida microscópica dos ácaros em nossos travesseiros, sobre os colchões desnudos?
Sobreviverão as partículas de poeira? Sobreviveremos nós, humanos, nesses radioativos metros-quadrados? Ou deverá ficar para sempre morte os microcorpos estendidos; o ar denso, irrespirável o apartamento inabitado?
Exterminadas, as pragas urbanas. Exterminados, os metamorfos Gregor Samsa e Franz Kafka inseto-homem e homem-inseto. Exterminado tudo? Nada.
Voltam em uma semana para terminar de exterminar tudo mais um pouco.
enviada por Yuri Amorim
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